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O que é RPG?

 

O Role Playing Game, ou RPG como geralmente é chamado, surgiu no início da década de 1970, quando seus criadores, os americanos Gary Gygax e Dave Arneson, realizaram a passagem dos jogos de estratégia (war games) para um jogo mais interativo, com ações demarcadas pela imaginação do jogador, que, ao invés de controlar todo um exército, passaria a controlar um único personagem.

A ambientação dessa nova dinâmica de jogo foi influenciada pelas obras de Tolkien, professor de Oxford e criador da Terra-média: mundo imaginário, repleto de orcs, anões, elfos e dragões. Sua obra mais famosa, O Senhor dos Anéis, vendeu milhões de exemplares, sendo inclusive reproduzida no cinema. A esse novo jogo, os autores chamaram de Dungeons & Dragons (Masmorras e Dragões), tornando-se mundialmente conhecido como D&D.

Ao longo dos anos, outros sistemas de RPG foram criados. Porém, a maioria tem em comum um sistema complexo de regras, muitas vezes distribuídas em centenas de páginas de manuais de jogo.

                                                                      
O RPG é um jogo de contar histórias, no qual crianças, jovens e adultos passam horas numa brincadeira em que deverão narrar as atitudes do personagem que está sob seus cuidados. Além disso, a brincadeira toma ares de jogo pelo fato de possuir regras bem definidas sobre o que se pode ou não fazer, enquanto co-autor da aventura.

Dentre as diversas formas de se jogar o role playing game, destacamos o RPG de mesa, mais tradicional e que requer menos recursos materiais para a sua prática. É a partir dele que iremos inserir o jogo na sala de aula.

Cada partida de RPG é denominada sessão de jogo e, normalmente, pode durar horas. Muitas vezes, a aventura se desenrola em várias sessões. Quando isso acontece, dá-se o nome de campanha. A cada encontro, os jogadores vão descobrindo novos segredos e elementos que compõem a trama.

Uma campanha pode durar meses ou anos, até sua conclusão, num ápice final. Aqui vamos propor aventuras bem mais curtas, que possam ser trabalhadas entre 2 horas-aula e 8 horas-aula.


Uma partida de RPG inicia-se pelo narrador, rotineiramente chamado de Mestre do Jogo, que prepara com antecedência a aventura e é responsável pelo bom andamento da mesma, apresentando desafios e surpresas a cada narração, envolvendo os seus participantes.

Os outros jogadores interpretarão os personagens principais dessa aventura, definindo suas ações e falas a partir do que o mestre vai narrando. Nesse sentido, o Mestre descreve uma situação inicial: o local onde se passa a aventura, outros personagens envolvidos nela, diferentes daqueles interpretados pelo grupo, eventos do passado que possam influenciar na aventura, sejam lendas ou fatos históricos, o cenário em que os personagens principais se encontram e, então, algum acontecimento que os leve a assumir aquela aventura como sendo sua, geralmente a partir de uma situação-problema.


O Mestre utiliza sua imaginação para criar as aventuras e inserir os jogadores como os personagens principais dessa história narrativa, que vai sendo produzida, assim, de forma coletiva.

Sendo assim, o Mestre é o detentor de todas as chaves e todos os segredos por detrás de cada enigma. Ele prepara os diversos caminhos da história, imagina as ações possíveis de serem tomadas pelo grupo e improvisa para dar continuidade à história quando o grupo encontra uma saída não imaginada por ele. Dessa forma, o Mestre cria um enredo como uma rede de possibilidades, na qual os jogadores estão sempre interferindo. No entanto, embora detenha tanto poder, não cabe ao Mestre jogar contra ou a favor do grupo. Ele deve permanecer neutro durante toda a história, garantindo a diversão dos jogadores.

Aos jogadores, cabe interpretar fielmente seus personagens, definindo suas ações a partir do que foi proposto pelo Mestre.


Como se joga RPG?

Acompanhe o diálogo a seguir que se passa numa fictícia sessão de RPG:

Narrador: Vocês chegam na beirada de um penhasco e vêem uma velha ponte de cordas...
Aluno: Consigo ver algo perigoso do outro lado?
Narrador: Você tem a habilidade 'visão apurada'... jogue os dados!
Aluno: Joguei... e tirei 8, somando com os dois pontos da habilidade, ficam 10.
(O narrador lê seus dados sobre a aventura e vê que o nível de dificuldade para essa ação é 8)
Narrador: Você consegue enxergar bem o que há do outro lado e não vê perigo nessa travessia...

 

Durante uma sessão de jogo, o mestre expõe uma determinada situação e o jogador deve dizer que atitude seu personagem tomará diante desta. Deve, inclusive, dizer quando não fará nada, esperando o desenrolar da cena. 

Algumas ações precisam do desenvolvimento de problemas, sejam eles qualitativos ou quantitativos. Para isso, os jogadores deverão utilizar seus conhecimentos escolares para solucionar enigmas ou transpassar obstáculos. Outras ações tem mais um caráter lúdico, utilizando o fator 'sorte' para conseguir efetivá-las. Quando isso for necessário, para decidir sobre o sucesso de uma ação pretendida, utilizam-se dos dados numéricos que os personagens de RPG possuem, aos quais dá-se o nome de atributos do personagem. Cada sistema de RPG possui atributos próprios. Nós utilizamos apenas a vitalidade (VT), no intuito de simplificar o máximo as regras. Entretanto, muitos sistemas de regras utilizam quatro a seis atributos diferentes.

Esse valor está escrito na ficha do personagem, que possui também as habilidades que ele tem e que podem facilitar suas ações durante o jogo (natação, artes marciais, pesquisa, etc.). Essas habilidades são escolhidas durante a construção do personagem, seja pelo professor ou pelos alunos, antes do jogo.

Quando é necessário que um personagem faça uso de uma de suas habilidades, o jogador que o interpreta realizará uma rolagem de dados para simular o feito. O narrador deverá conferir o valor do resultado, comparando com o nível de dificuldade da ação (ND). Este fator, presente em qualquer teste, deve ser determinado antecipadamente, na criação da aventura.

 As regras utilizadas no RPG são muito variadas. Existem sistemas mundialmente conhecidos, como o D&D e o GURPS. Entretanto, são sistemas com regras muito extensas e complexas. No uso pedagógico do RPG normalmente optamos por regras mais simples, de forma a dar mais dinamismo ao jogo (visto que o professor não pode usar muitas aulas para a atividade, o que prejudicaria o seu programa) e priorizar seus aspectos didáticos.

 

 

RPG pedagógico?!? Como surgiu isso?


No final da década de 90, a observação das possibilidades de aprendizado com o role playing game deram início ao desenvolvimento dos primeiros estudos sobre a aplicação do RPG na Educação. Embora ainda seja desconhecido de muitos professores, o Brasil é um dos países que mais trabalha nessa pesquisa. Inclusive, já se realizaram alguns simpósios para tratar da aplicação pedagógica do RPG, ou, como é chamado, do RPG Pedagógico. 

O RPG é tido como um jogo que proporciona uma maior relação social entre os indivíduos que dele participam. A capacidade de integração do RPG começa na sua própria estrutura: é jogado em grupo, exigindo a cooperação entre seus participantes e baseia-se no discurso oral, no diálogo e troca de idéias. O Roleplaying Game também tem sido visto como um jogo que estimula, no participante, a pesquisa e a leitura, no desejo de preparar seu personagem para a aventura.


Pesquisas afirmam que o role playing game tem a capacidade de desenvolver competências e habilidades sugeridas pelos PCN. Além se ser um instrumento que facilite a contextualização e a interdisciplinaridade.

A cada ano, mais trabalhos vêm sendo realizados sobre o uso do RPG na escola. São monografias, Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), Dissertações e Teses, que apresentam as mais diversas pesquisas ligadas diretamente com o Roleplaying game, tanto na educação como em psicologia, ou sociologia, ou tantos outros ramos das Ciências Humanas. Conforme vem surgindo os resultados das diversas pesquisas na área, observa-se um interesse cada vez mais crescente dos alunos pelo RPG aplicado à educação, tornando-se um recurso potencialmente pedagógico.


O RPG substitui a aula?


À princípio, o RPG não deve substituir a aula "normal", principalmente quando o professor não tem muita experiência com o jogo ou, o que é mais importante, em elaborar desafios pedagógicos intrigantes, e ao mesmo tempo eficientes, para os alunos resolverem.

Dessa forma o RPG é mais um recurso a ser somado àqueles usados na escola. Assim como se usa um mapa pra ilustrar uma região estudada na aula de Geografia ou uma simulação sobre um determinado fenômeno em Física ou Química, o RPG pode ser usado para exemplificar e verificar o uso de um conceito, de modo simples e prático. 

Entretanto é preciso que o professor desenvolva os conceitos abordados na aventura, seja antes ou depois do jogo. Assim, o RPG deve ser utilizado como um recurso que motive o aluno a aprofundar os conhecimentos acerca de determinado conteúdo explorado no jogo.

Finalmente, não podemos dizer que isso é uma regra! O campo está aberto para experimentações, e mudanças podem surgir em meio às pesquisas sobre o tema.


Nas sessões: 

 

 Para saber mais, você encontrará alguns sites recomendados para aprofundamento desse assunto e sugestões de leituras de livros e pesquisas acadêmicas.

Aplicando o RPG na Escola, você encontrará textos com sugestões ou dificuldades encontradas durante a aplicação do RPG, a partir de nossas próprias experiências.

 

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imagens retiradas de : http://www.gurpzine.com.br/2010/06/ficha-gurps-fantasy-3ed.html
                                https://edwardcheever.wordpress.com/2010/09/16/dungeons-and-dragons-4th-edition-our-initial-experience/

 

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