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Alquimistas

Por Ricardo Amaral

Publicado em 16 de novembro de 2015.

 

 

Hoje vamos desenvolver uma aula prática no laboratório! Separem os caldeirões, juntem os ingredientes e vamos começar a lição misturando raiz de mandrágora com escorpiões e ver no que vai dar. (– Que ideia é essa, professor!?! A aula é de feitiçaria?) Não! Mas pode ser uma aula de Ciências, Biologia, Química ou Física! Apresentamos um jogo que vai levar seus alunos a se aproximarem do método científico, muito pertinente para ser trabalhado em turmas de Ciências no 9º ano do ensino fundamental ou em Física/Química/Biologia, no 1º ano do ensino médio. E então? Vamos aquecer o caldeirão?

 

 

Caixa do jogo: belíssima arte e disponível no Brasil!

 

Publicado em 2014 (em português, no Brasil, em 2015), Alquimistas é um jogo de dedução em que se procura desvendar alguns segredos da natureza em busca de conhecimento, fama e riqueza. Comporta de 2 a 4 jogadores, em partidas que duram, em média, 90 minutos.  O objetivo do jogo é descobrir a constituição de diversos ingredientes, a partir de suas misturas na produção de poções mágicas. Mas é preciso ser rápido, pois além de você, outros alquimistas buscam o mesmo conhecimento e apenas o primeiro a publicar sua teoria ganhará o reconhecimento da Ciência.

 

Texto inicial do manual de regras do jogo.

 

Em Alquimistas, cada jogador pode experimentar os desafios e desventuras que acompanham esses homens na busca do conhecimento. E o que é melhor ainda, o jogo permite, dentro de um determinado contexto, apresentar e experimentar o método científico, tão comentado por nós, professores, nas aulas de Ciências.

Todo o jogo é desenvolvido a partir da vida cotidiana de um alquimista: ir na floresta colher ingredientes; vender alguns deles na cidade para equipar melhor o seu laboratório; misturá-los no seu caldeirão para desvendar sua essência e solicitar ao seu ajudante que experimente a poção resultante para descobrir seus efeitos; publicar suas teorias acerca desses ingredientes; fazer demonstrações em praça pública e alcançar a tão sonhada fama.

 

O belíssimo tabuleiro do jogo.

 

O jogo traz uma semelhança incrível com o método dedutivo da ciência, e as etapas necessárias que o alquimista precisa vencer para alcançar o conhecimento não é, de forma alguma, diferente daquelas vivenciadas pelos cientistas modernos.

Mas o que é método dedutivo? Quando precisamos pensar acerca de um determinado fenômeno científico, geralmente o observamos, coletamos dados e o analisamos para chegar a algumas conclusões. A esse passo a passo damos o nome de método científico. Quando esse processo parte de ideias gerais, reconhecidas como satisfatórias, deduzindo delas várias suposições que se contrastam com os dados concretos, temos o chamado método dedutivo, de modo que partimos de um conhecimento geral para algo particular. Ou seja, partimos de uma ideia geral, normalmente baseada na observação, extraindo-se daí premissas, a partir das quais chegamos às devidas conclusões.

 

São oito ingredientes no jogo. Vamos fazer uma sopinha?

 

Alquimistas brinca o tempo todo com o método dedutivo. No jogo, cada ingrediente (raiz de mandrágora, escorpião, sapo, flor de lótus, pé de galinha, pena de corvo, cogumelo e samambaia) tem um respectivo alquímico, composto por 3 aspectos: azul, verde e vermelho, que ainda podem ser positivos ou negativos e de tamanhos diferentes (podemos comparar esses alquímicos com as fórmulas químicas, por exemplo). A missão, então, é descobrir os alquímicos de cada um desses elementos. E como pode ser feito isso? Misturando os ingredientes, dois a dois. Ao se misturar os ingredientes, aspectos semelhantes se amplificam, o que resulta num determinado tipo de poção.

 

Os seis tipos de poções possíveis de desenvolver no jogo

Entretanto, ao misturá-los, apenas os aspectos de mesma cor e sinal, e de tamanhos diferentes reagem entre si, transformando-se num dos tipos de poção! Como cada ingrediente tem um único e determinado alquímico, produz-se uma poção a partir do aspecto mais abundante entre os dois ingredientes. Ao encontrar o resultado dessa mistura, o jogador poderá excluir uma relação de hipóteses, aumentando suas chances de descobrir o alquímico de determinado ingrediente. É aqui que entra o método dedutivo. A cada mistura, o jogador vai deduzindo premissas a partir de sua observação e experimentação, excluindo as várias possibilidades de alquímicos até chegar a uma única solução, a partir de uma tabela de resultados que acompanha o jogo. Veja o exemplo abaixo:

 

Exemplo de ingredientes com alquímicos: raiz de mandrágora e escorpião.

Considerando que o escorpião tem o alquímico 1 e a raiz de mandrágora tem o alquímico 2 (dados desconhecidos pelos jogadores), sua mistura fará amplificar o aspecto vermelho positivo, resultando numa poção de cura, visto que ambos possuem aspectos vermelhos positivos, porém de tamanhos diferentes. A partir dessa informação, o jogador poderá deduzir que nenhum desses elementos possui aspecto vermelho negativo, podendo excluir qualquer alquímico que o possua.

 

O jogador marca com um X os alquímicos com vermelho negativo, diminuindo em 50% os alquímicos possíveis para o escorpião.

 

Numa outra mistura, o jogador agora seleciona o escorpião (alquímico 1) e a flor de lótus (alquímico 3), resultando numa poção de paralisia, visto que o aspecto amplificado foi o verde negativo (ou seja, ambos possuem aspecto verde negativo. Embora possuam também aspectos vermelhos positivos, estes não reagem pois têm mesmo tamanho).

 

Exemplo de ingredientes com alquímicos: flor de lótus e escorpião.

 

Novamente, excluindo na tabela os alquímicos que não correspondem, sobram apenas duas possibilidades. Bem mais fácil deduzir agora do que as oito possibilidades iniciais. Se continuar misturando com outros ingredientes, deverá chegar ao alquímico correto.

 

O jogador marca com um X os alquímicos com verde positivo, reduzindo para apenas dois alquímicos possíveis para o escorpião.

 

Nesse sentido, comparando com o método científico dedutivo, o alquimista possui alguns conhecimentos gerais amplamente aceitos pela comunidade científica local, antes de começar suas observações:

1) Cada ingrediente é formado pela mistura de 3 aspectos (verde, vermelho e azul) de sinais positivos ou negativos;

2)  Cada ingrediente possui um único e exclusivo alquímico;

3)  A mistura de cada par de alquímicos em alta temperatura (cozimento dos ingredientes) resulta em tipos de poções diferentes;

4)  Essas poções são constituídas por aspectos de mesma cor e sinal, contidos nos ingredientes, desde que possuam tamanhos diferentes.

 

A partir desses conhecimentos, ele consegue deduzir, a partir da mistura de diferentes ingredientes, qual o alquímico de cada um deles. Ou seja, a partir do método dedutivo, o alquimista, observando e experimentando as reações entre as misturas, vai de uma ideia geral para os conhecimentos específicos sobre cada ingrediente!

 Só por essa ideia fascinante, já valeira a pena utilizar Alquimistas nas aulas de Ciências. Mas não há só isso... tem muito mais a ser explorado no jogo!

 

Uma vez descoberto o alquímico de determinado ingrediente, o alquimista deve publicar sua teoria, de modo a divulgar para a sociedade científica suas descobertas e receber os créditos por isso. Nesse sentido, o jogador atribui um determinado alquímico para o ingrediente que estudou em suas pesquisas e coloca um selo sobre a publicação, indicando aos demais jogadores qual foi o cientista que fez a descoberta.

 

Ação do tabuleiro correspondente à publicação de uma teoria: Ainda precisa pagar uma moeda ao editor!

 

Entretanto, o alquimista, no seu frisson em descobrir o alquímico, pode ter cometido algum erro! Caso algum outro cientista descubra o erro, pode derrubar a teoria anteriormente publicada e automaticamente publicar uma nova. Nesse caso, ele precisa provar que a teoria anterior está errada. Ele pode fazer isso comprovando que o alquímico atribuído àquele ingrediente corresponde a outro ingrediente, por exemplo. Ou ainda, mostrando que o alquímico daquele ingrediente é outro.

Para encerrar com chave de ouro, no final de cada rodada há as assembleias, quando os alquimistas ganham prestígio para cada teoria publicada. E na última rodada do jogo é a vez da comunidade leiga ter acesso às suas descobertas! Cada alquimista tem a oportunidade de mostrar seus conhecimentos em praça pública, misturando ingredientes e apresentando os resultados para toda a sociedade.

 

Hora de mostrar tudo o que sabe diante dos cidadãos. Não vá fazer feio!

 

Perceba, caríssimo leitor, quão próximo do “fazer ciência” está o jogo. Não é dessa forma que o conhecimento científico é construído? Pesquisa-se profundamente uma determinada questão, muitas vezes através da observação e experimentação. Elencamos hipóteses que vamos testando uma a uma até obtermos resultados confiáveis. Publicamos nossos trabalhos em revistas especializadas e participamos de congressos para apresentar nossas teorias. Algumas vezes, essas teorias são testadas por outros que acabam descobrindo incongruências e elas são, então, refutadas.

Por esse motivo, Alquimistas não pode ficar de fora de sua sala de aula. Prepare todos os ingredientes e faça muitas poções de sabedoria com seus alunos! Alquimistas é publicado no Brasil pela editora Devir.

 

Para saber mais sobre o jogo, conhecer suas regras e assistir vídeos, acesse a ludopédia!

 

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