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Utilizando board games como recursos pedagógicos

 

Não é novidade a apropriação de atividades lúdicas pela Escola, a fim de possibilitar aos estudantes uma aprendizagem mais rica em termos não só de motivação mas, principalmente, no sentido da contextualização dos conceitos estudados. Entretanto, o uso de board games comerciais [1] em sala de aula não é algo usual. Normalmente há uma procura especificamente por jogos pedagógicos, ou seja, jogos construídos especialmente com essa finalidade. Entretanto, é perceptível que muitos jogos comerciais tratam de temas que englobam conceitos escolares e que poderiam, sem sombra de dúvidas, ser apresentados a seus alunos, dando um dinamismo à sua aula de modo a exemplificá-los, servindo a temática do jogo, suas mecânicas e seu enredo como contexto em que tal conceito se aplica.

Mas, como eu posso utilizar esses jogos no meu horário de aula? Que mudanças preciso realizar no andamento da aula? Apresento, aqui, três possibilidades de uso dos jogos comerciais em sua sala de aula, de acordo com o recurso financeiro à sua disposição para tal fim. Vamos falar um pouco sobre cada um deles, considerando do mais simples ao mais complexo, economicamente falando.

 

1)      Um único jogo e exemplar para toda a turma

 

Considerando que o professor não disponha de muitos jogos para uso em sala, ele pode simplesmente levar um único exemplar do jogo escolhido, utilizando-o como material explicativo em sua aula. Nesse sentido, a depender do jogo e da criatividade do professor, ele pode apenas utilizar os seus componentes para exemplificar os conceitos desenvolvidos na aula (tabuleiros, cartas, tiles, etc.), ou fazer com que os 30 alunos possam experimentá-lo a partir de um único exemplar do mesmo.

Pensando na primeira opção, são vários os jogos que podem ter seus componentes utilizados como material explicativo de aula. Para as aulas de História, por exemplo, alguns jogos baseados na segunda guerra mundial permitem representar os campos de batalhas famosas com certa fidelidade; para aulas de Física, alguns jogos se utilizam de cartas com personagens famosos da Ciência e que podem ser apresentados aos alunos para um primeiro contato com esses cientistas. Existe uma infinidade de jogos que se prestam a esse serviço informativo dentro do contexto de sala de aula.

A outra possibilidade aqui apresentada é a adequação das regras do jogo para que um único exemplar possa ser experimentado por todos os alunos. Alguns jogos são mais fáceis de aplicação num grupo maior, mesmo que tenha sido pensado para 4 ou 5 pessoas. Para tal proposta, é comum dividir a turma em times que jogam competitivamente, mas internamente a cada time, desenvolvem a cooperação. Nesse caso, deve-se pensar em que mudanças nas regras serão necessárias, garantindo a participação de todos na atividade.

 

2)      Diversos jogos diferentes numa mesma aula

 

Se o professor (ou a escola) possui uma ludoteca mais diversificada, podemos pensar numa sessão de jogos dentro da sala de aula, seja para abrir uma nova unidade, fomentando nos alunos o interesse por investigar mais a fundo os conceitos apresentados nos jogos, ou como fechamento da unidade, para aplicar os conceitos trabalhados no contexto específico de cada jogo utilizado.

Considerando que a maioria dos jogos permitem entre 4 e 5 jogadores, vamos pensar que, para 30 alunos, precisaremos de 6 a 8 jogos diferentes, com partidas ocorrendo simultaneamente. Os jogos não precisam desenvolver o mesmo tema, mas é coerente que todos os temas pertençam à sua disciplina. É importante que o professor realize esse tipo de atividade em dias que possua 2 aulas consecutivas na turma, visto que apenas uma aula seria insuficiente para desenvolver alguns jogos que possuem partidas mais longas.

Geralmente adoto esse tipo de atividade com os alunos. Divido a turma em vários grupos e, para cada grupo, entrego um jogo diferente. Os estudantes passam as duas aulas jogando, conhecendo e discutindo a temática explorada no jogo. Ao final da aula, cada grupo recebe a tarefa de preparar e apresentar um seminário sobre o jogo do qual participou, além de associá-lo aos conceitos pertinentes à disciplina. Além disso, à medida que vamos nos aprofundando no estudo daqueles conceitos, nas aulas futuras, podemos mais uma vez associá-los a exemplos vivenciados pelos alunos quando utilizaram cada um daqueles jogos.

Uma dica muito importante é que os estudantes sejam avisados uma semana antes sobre a atividade e que cada um saiba qual jogo experimentará. Feito isso, precisamos muni-los com os manuais de regras dos jogos (facilmente encontrados em pdf) e com links de vídeos que explicam as regras do jogo e apresentam partidas completas, passo a passo. Seria um gasto desnecessário de tempo explicar como cada jogo funciona apenas no dia da atividade.

Outro ponto a ser considerado é que, a depender do jogo, geralmente o tempo de 100 minutos não é suficiente para uma partida completa. Entretanto, como o objetivo maior da atividade é fazer com que os alunos experimentem a aplicação dos conceitos estudados (ou a serem estudados) no jogo, não é de todo prejudicial encerrar a partida algumas rodadas antes do final, caso o tempo de aula acabe. Caso isso aconteça e a garotada ficar com “gostinho de quero mais”, o professor pode fazer um convite para uma sessão de jogos no contra turno dos alunos, enquanto atividade voluntária, sem obrigações dos estudantes.  

Se a sala de aula for pequena ou não tiver mesas suficientes, leve os alunos para a biblioteca, laboratório ou para o pátio da escola. Mas acerte os detalhes com a coordenação antes da atividade. Mesas de plástico quadradas são excelentes para esse tipo de atividade, caso não haja mesas de madeira disponíveis. Até mesmo o chão serve de apoio, desde que esteja limpo o suficiente para colocar os jogos.

 

3)      Vários exemplares de um único jogo para toda a turma

 

Temos, aqui, o sonho de consumo de qualquer professor que deseja trabalhar com jogos na escola. Para alcançar esse sonho, é necessário um projeto da instituição escolar para tal finalidade, de modo que possa ser adquirido vários exemplares de um mesmo tipo de jogo, de acordo com o planejamento dos professores envolvidos nesse projeto. Para se fechar numa quantidade, deve-se levar em consideração o número de jogadores que o jogo permite participar de uma partida, além do número de alunos nas salas de aula da escola. Por exemplo, se um determinado jogo comporta até 5 jogadores e na escola há 30 alunos por sala, então o número mínimo de exemplares desse jogo seriam 6 unidades. Caso seja possível, o ideal seria adquirir um ou dois exemplares extras para uma reserva técnica de componentes, que devem ir se deteriorando com o uso e o tempo.

A forma de aplicar esse método é muito semelhante com o anterior, com a única diferença de que, como todos os alunos jogaram o mesmo jogo, o debate posterior ao jogo e suas ligações com o conteúdo desenvolvido estarão ao alcance de toda a turma.

 

 

Temos, assim, algumas sugestões de como você pode aproveitar aquele jogo, guardado na estante de casa, em sua sala de aula. É claro que o professor pode utilizar-se de outras metodologias além daquelas que explanamos nesse texto, de modo que não limitamos, de forma alguma, o uso de jogos de tabuleiro comerciais a apenas esses três métodos apresentados.

Ao longo das próximas semanas, apresentaremos sugestões de como alguns títulos disponíveis no mercado (nacional ou internacional) podem ser utilizados pedagogicamente. Fique à vontade para experimentar nossas sugestões ou criar, você mesmo, suas possibilidades.



[1] Chamaremos de jogos comerciais àqueles produzidos e comercializados em grande escala, essencialmente como opção de lazer, sem objetivos pedagógicos a priori.

 

 

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